20061020

"Muito além do cidadão Kane" II

Eleições e TV Globo - O colega jornalista Paulo Henrique Amorim publicou nesta semana uma suposta transcrição da conversa entre o delegado da Polícia Federal Edmílson Bruno e profissionais de imprensa sobre as fotos mostrando o dinheiro usado para a compra do dossiê Vedoim - material, adquirido por dirigentes do PT, que deveria ser usado contra a campanha do PSDB em São Paulo. De acordo com Mino Carta, diretor da revista Carta Capital (cuja edição de outubro traz matéria sobre a cobertura da Globo referente ao escândalo), a conversa revela uma provável trama da emissora para prejudicar a reeleição do presidente Lula. Segundo Amorim os jornalistas que participam da conversa informal com o delegado são: Lilian Christofoletti, da Folha de S. Paulo; Paulo Baraldi, do jornal O Estado de S. Paulo; Tatiana Farah, do jornal O Globo e André Guilherme, da rádio Jovem Pan (que teria gravado a conversa). Em nota oficial, publicada no Observatório da Imprensa, Ali Kamel, diretor-executivo de jornalismo da Globo, contesta as acusações. Ele afirma que a TV Globo não é, em nenhum momento, citada como o canal onde as fotos deveriam ser exibidas. “O delegado pergunta então se há alguém da Globo nas proximidades, e os repórteres apontam para Rodrigo Bocardi, repórter do Jornal Nacional, que estava de plantão na Polícia Federal. Outro repórter do grupo acrescenta que também está na PF um repórter da TV Bandeirantes, a quem classifica de gente finíssima. O delegado alega que não tem CDs para todos, mas os repórteres asseguram a ele que tirarão cópias e farão a distribuição aos repórteres de TV”. Ele frisa que durante a conversa, o delegado ressalta que todos têm que divulgar as imagens. Carta chegou a afirmar que as fotos teriam sido entregues para o jornalista César Tralli no dia 28/09, mas a Globo teria evitado ser a única a divulgar as fotos para evitar acusações de manipulação e teria sugerido chamar outros jornalistas para divulgar a notícia. Porém em seu blog, o editor desmente essa afirmação e assume um equívoco. Em conversa com o repórter da Carta, Raimundo Pereira (autor da reportagem sobre a cobertura global), Tralli teria explicado que foi procurado após a reunião com os repórteres, no dia 29/09. “Falou-se desse encontro entre o delegado e repórter como se tivesse ocorrido um dia antes. Errei sim, e desta vez espero não ter manchado demais o meu nome.” Globo nega acusações. Em nota enviada ao jornal O Dia, a Globo contesta as acusações. “A TV Globo obteve as imagens na sexta-feira, dia 29, como os outros meios de comunicação. A nota do site [da Carta Capital] é totalmente falsa e caluniosa”. O texto, redigido por Kamel, lembra ainda que o presidente chegou a parabenizar a emissora por sua isenção, no primeiro turno. A reportagem da Carta Capital afirma que as equipes de campanha de Geraldo Alckmin e de José Serra chegaram ao prédio da Polícia Federal, em São Paulo, antes de Valdebran Padilha e Gedimar Passos, envolvidos no escândalo. Segundo uma fonte da Polícia Federal (PF) ouvida por Amorim, a polícia não tem dúvida que foi Edmílson Bruno quem deu as fotos para a imprensa. O único mistério é se o delegado agiu por motivações partidárias ou para subir na hierarquia, caso Lula perdesse a eleição. O delegado solicitou sua entrada em um inquérito e em uma perícia que não trabalhava e divulgou o material para jornalistas. Na década de 90, o filme "Muito Além do Cidadão Kane", uma produção inglesa sobre a TV Globo, circulou em ambientes independentes como salas de aula de universidades e espaços alternativos de comunicação. O documentário inglês analisa a Rede Globo em várias situações supostamente comprometedoras da emissora como o debate eleitoral de 1989 (quando o canal teria feito uma edição para favorecer o então candidato Fernando Collor de Mello), jogando suspeitas na empresa de Roberto Marinho. Em 2006, uma eleição aparentemente previsível e sem aquecimento, a Globo parece repetir o panorama de 1989. Fonte: Comunique-se. By Ton.

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