20061108

Democratas lideram Câmara dos EUA

Após 12 anos de liderança republicana, o controle da Câmara dos Representantes (deputados) está agora nas mãos dos democratas. As eleições legislativas dos EUA acabaram por concluir um ciclo de poder republicano e iniciar uma nova era com a volta do Partido Democrata. Analistas dizem que o controle da Câmara dos Representantes vai permitir que os democratas decidam lançar inquéritos a respeito da situação no Iraque, além da Presidência da Câmara de Representantes, os democratas também devem comandar as comissões que elaboram os projetos legislativos e supervisionam áreas como o funcionamento das Forças Armadas, a política externa e o Orçamento. De acordo com Justin Webb, correspondente da BBC em Washington, o pronunciamento deve dar as primeiras pistas sobre como Bush vai agir de agora em diante: tentando chegar a um acordo com a oposição ou lutando contra os democratas. Agora os democratas assumindo o Congresso Nacional, as relações comerciais entre Estados Unidos e Brasil poderão ficar complicadas. O diretor do Brazil Institute, do Woodrow Wilson Center - um dos mais conceituados centros de pesquisas políticas dos Estados Unidos, Paulo Sotero, afirma que "Em termos de acordos comerciais, a situação poderá ficar um pouco mais difícil. A tolerância para tratados de livre comércio é cada vez menor. E os democratas sempre foram mais resistentes a esse tipo de acordo, mesmo quando havia um democrata no poder, o presidente Bill Clinton". Já Riordan Roett, diretor do Programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade John Hopkins, de Washington, o Brasil poderá enfrentar contratempos, após junho do ano que vem, quando vence o prazo do "fast track", também conhecido pela sigla TPA (Trade Promotion Authority), a legislação que permite ao governo americano negociar acordos de livre comércio sem a possibilidade de emendas pelo Congresso. "Os republicanos não concederam o ''fast track'' a Clinton e duvido que os democratas o darão a Bush, que, até lá, faltando pouco mais de dois anos para as eleições presidenciais, será um peso morto", conclui Roett em entrevista a BBC em Washington. Texto by Ton.

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