20080220

O soldado das idéias!

"Reino de Cuba: Dom Fidel de Castro, muy dignissimo e altissimo rei absoluto de Cuba, renunciou ao trono, a favor do infante Dom Raul de Castro, seu irmão! O motivo foi o de sua majestade, o rei Fidel não ter tido filhos. Foi decidido por sua majestade, (como rei absolutista) e por suas cortes e, na sua ausência de um príncipe herdeiro, abdicar a favor de seu irmão, Dom Raul de Castro, duque de Cuba.Viva o rei!!!", Francisco J. Frazão L. Gonçalves.

Fidel Castro foi um dos líderes que permaneceram por mais tempo no poder em todo o mundo, foram quase cinco décadas a frente do governo socialista de Cuba. Com a eminência da possibilidade de novas "eleições" marcadas para o final de fevereiro de 2008, Fidel resolveu assinar um documento de renúncia, por motivos de saúde. O anúncio de que está deixando a Presidência de Cuba simboliza o fim de uma era marcada por confrontos com a nação mais poderosa do mundo, os Estados Unidos. No longo período em que esteve à frente do país tido como o bastão do comunismo na América Latina, Fidel Castro sobreviveu a nove diferentes governos americanos - e a várias tentativas de assassinato. Para os Estados Unidos, ele vinha representando uma lembrança constante e incômoda das idéias comunistas que, apesar de praticamente abandonadas no resto do mundo, permaneceram vivas a nada menos do que 144 quilômetros de distância de sua costa. E essas idéias foram adotadas, com uma interpretação própria, por um filho de latifundiários ricos nascido em 1926. Ciente dos grandes contrastes entre seu confortável cotidiano e a pobreza de muitos cubanos, Fidel se tornou um revolucionário. Com um grupo de jovens decidiu derrubar o regime de Fulgêncio Batista, marcado por corrupção e que ajudava a compor a imagem da Cuba dos anos 1950 como um paraíso de ricos nas mãos de uma máfia. Prostituição, jogatina e tráfico de drogas eram endêmicos na ilha.

A revolução cubana: - Fidel Castro liderou uma invasão ao quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, no dia 26 de julho de 1953. Apesar de fracassada, a iniciativa marcou o começo da revolução que acabaria levando-o ao poder. Depois de breve período preso, Fidel foi anistiado e se exilou no México, onde organizou uma expedição que voltou a Cuba. Ao lado do argentino Ernesto "Che" Guevara, que conheceu durante o exílio, o jovem cubano montou uma campanha de guerrilha a partir de sua base, na Serra Maestra. Em 1959, Batista deixou o país e Fidel estabeleceu um novo governo que prometia devolver a propriedade da terra aos agricultores e defender o direito dos pobres.

Aliança com a ex-URRS: - Desde o começo, Fidel insistiu que sua ideologia era, acima de tudo, cubana. "Não há comunismo nem marxismo em nossas idéias, só democracia representativa e justiça social", dizia. Criticado pelos Estados Unidos pela nacionalização de empresas de americanos, foi alvo do embargo comercial que vigora até hoje.
Fidel disse que assim foi empurrado para os braços da União Soviética, liderada por Nikita Kruchev. Com o novo aliado, Cuba virou mais um campo de batalha da Guerra Fria. Os Estados Unidos tentaram derrubar o governo de Fidel em abril de 1961, apoiando um grupo de exilados cubanos em uma desastrosa invasão à praia de Girón, na baía dos Porcos. A CIA, central de inteligência americana, foi acusada pelo líder cubano de tentar assassiná-lo várias vezes, inclusive com um charuto explosivo. Em 1962, aviões de reconhecimento dos Estados Unidos detectaram um carregamento de mísseis soviéticos rumo a Cuba, criando um impasse entre o presidente americano, John F. Kennedy, e Kruchev. Depois de 13 dias de impasse, os soviéticos desistiram de instalar mísseis com potencial nuclear em Cuba, em troca de uma promessa secreta americana de retirar suas armas da Turquia.

Mikhail Gorbachev: - Cuba "exportou" a sua revolução para outras partes do mundo na forma do apoio às guerrilhas marxistas em Angola e Moçambique. A União Soviética ajudou Cuba comprando sua produção de açúcar e enviando a Havana navios carregados de produtos que supriam um mercado estrangulado pelo embargo americano.
Na década de 1980, contudo, o governo castrista sofreu um duro golpe com a implementação da perestroika (reestruturação) por Mikhail Gorbachev na União Soviética. Tempos difíceis levaram milhares de cubanos a se lançar ao mar em embarcações precárias nos anos 1990 na esperança de chegar a Miami. O caso do menino Elián González ganhou as manchetes do mundo inteiro. Ele perdeu a mãe em uma viagem perigosa e, depois de uma longa batalha legal entre parentes em Miami e o pai, que morava em Cuba, foi levado de volta para a ilha. Entre os bons resultados domésticos de Fidel Castro está o serviço de saúde cubano, considerado um dos melhores da região, e o baixo índice de mortalidade infantil, comparável ao dos países mais desenvolvidos. O governo de Fidel, no entanto, foi acusado por organismos internacionais de perseguição política contra os opositores do regime e de violações dos direitos humanos. Uma comissão da ONU chegou inclusive a cobrar a libertação de dissidentes presos e maior liberdade de expressão em Cuba.

Abertura nacional moderada: - Nos últimos anos, Fidel deu sinais de que teria moderado suas posições. Em 1998, recebeu no país o papa João Paulo 2º ( o papa que derrubou o comunismo na europa oriental com apoio da Casa Branca). Nos últimos tempos, Fidel encontrou amizade e apoio econômico no presidente da Venezuela, Hugo Chávez.Outros líderes regionais, como o presidente da Bolívia, Evo Morales, também se declararam simpatizantes do líder cubano. Desde que foi internado com problemas de saúde, em agosto de 2006, Fidel Castro passou o poder em Cuba para o irmão, Raúl Castro, de 75 anos, ministro da Defesa e chefe das Forças Armadas cubanas. Em janeiro passado, ele recebeu a segunda visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou a prever, após um encontro de duas horas com o líder cubano, que Fidel estava "pronto para assumir o papel político que ele tem em Cuba". Pouco mais de um mês depois, Castro anunciava, em uma carta publicada pelo jornal do Partido Comunista Granma, que não retornaria à Presidência do país, pondo fim a uma era de quase meio século. O Mixidéias relata aqui o fim da era Castro, com informações históricas da BBC Brasil, Washington Post, Estado de São Paulo, Jornal da Globo e Granma.
A seguir trecho da carta de renúncia de Fidel Castro: "É hora de candidatar e eleger o Conselho de Estado, seu presidente, vice-presidentes e secretário. Ocupei o honroso cargo de presidente ao longo de muitos anos. Em 15 de fevereiro de 1976 foi aprovada a Constituição Socialista por voto livre, direto e secreto de mais de 95% do cidadãos com direito ao voto. (...) , Meu desejo sempre foi cumprir o dever até o último alento. É isso que posso oferecer. Comunico a meus queridos compatriotas, que, para minha honra, me elegeram há uns dias membro do Parlamento, em cujo seio deverão ser tomados acordos importantes para o destino de nossa Revolução, que não aspirarei nem aceitarei repito não aspirarei nem aceitarei o cargo de presidente do Conselho de Estado e de comandante-em-chefe....(...). Não me despeço de vocês. Apenas desejo combater como um soldado das idéias. Continuarei escrevendo sob o título "Reflexões do presidente Fidel". Será mais uma arma do arsenal com que poderão contar. Talvez minha voz seja escutada. Serei cuidadoso. Obrigado". Fidel Castro Ruz. 18 de fevereiro de 2008. 17h35. Havana Cuba.. Fonte: http://www.granma.cu/ / Imagem de Fidel recepcionando o papa João Paulo 2; Foto: Agência AP. Edição de Texto by Clayton Fernandes.

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