20080716

Barack Obama é exemplo de político on line!

Barack Obama, candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, criou uma nova ordem de campanha, que tem tudo para fazer diferença nas estratégias de marketing político em 2008.

"A eleição americana nunca foi tão imprevisível como a atual. Mas um fato já merece destaque: a competente “campanha 2.0” realizada pelo candidato Barack Obama. Se a eleição fosse online, certamente o senador Obama já estaria eleito. É bem verdade que nos EUA o uso da internet em campanhas não é nenhuma novidade. Tudo começou por lá. Hoje, a diferença está no uso de recursos da web 2.0 como faz o time de Obama, o que está muito além de manter um blog no ar. E o timing é perfeito, no momento em que os internautas do mundo inteiro já estão mais escolados com a web e clamam por interatividade.
Para estudar o caso mais de perto, me cadastrei na campanha há quase um ano. A constatação desde o início é que Barack Obama se utiliza da rede com uma desenvoltura que deixaria no chinelo empresas que se acham “digitalizadas”.
Desde o início recebo com freqüência e-mails, convites, pedidos de ajuda financeira, vídeos, material de campanha, entre outras tantas mensagens do próprio candidato. Tenho até meu blog de apoio, criado num Dashboard onde qualquer um pode personalizar sua participação em uma série de atividades pró Barack, de eventos a ambientes de discussões segmentados para latinos, crianças, veteranos, entre outros.
Eu juro que até tentei achar algo pra dizer que falta. Sem sucesso. Doação online, site personalizável, loja virtual, dezenas de comunidades segmentadas, espaço para debates online, site mobile, BarackTV e as demais funcionalidades mais comuns – notícias, newsletters, etc. Check.
E se a conversa descambar para o papo do momento - convergência de mídias, integração on/off - lá está a campanha de Barack Obama. E ele demonstrou que está alinhado com a tendência recentemente num de seus comícios (ao vivo, não virtual) no Central Park em Nova York.
No ponto alto do evento, depois de um discurso empolgante, Barack convocou os presentes a se juntarem à campanha. Como? Resumindo a história, gritou em alto e bom som algo como “peguem seus celulares agora, digitem “Join” e enviem o SMS para o número X”. Done. Isso foi o bastante para que os presentes se conectassem à campanha através do mais “íntimo” dos seus aparelhos. E foi também o adeus definitivo às velhinhas voluntárias que recolhem assinaturas no bom e velho papel, ao lado do palanque.
O resultado de tudo isso não poderia ser diferente. Com essa campanha 2.0, Barack Obama conquistou um verdadeiro exército de eleitores jovens, todos empolgados em militar a favor de sua moderna campanha. Não vou entrar no mérito do conteúdo, mas a forma é realmente uma mudança que pode influenciar as próximas campanhas. Dentro e fora dos Estados Unidos.

E no Brasil?

E o Brasil, onde entra nessa? Hoje temos quase 40 milhões de eleitores internautas e o uso só cresce, junto com a participação dos usuários na criação de blogs, envolvimento em comunidade, entre outras atividades online. O Brasil é recordista mundial em tempo médio de conexão, à frente de Japão e dos Estados Unidos. Além do que, temos mais de 120 milhões de celulares ativos que dispõem de, no mínimo, recursos de SMS.
O que falta mudar e o que precisamos pra assistir à campanhas como a de Obama? A resposta na minha opinião é simples: Políticos como Barack Obama. Gente que deixe de lado as velhas idéias e entenda de uma vez por todas que a internet não é apenas complemento de mídia e que campanha online não se resume a um site com a “foto bem grande” e o disparo de e-mails utilizando bases compradas por aí.
Infelizmente esse ainda é o pensamento da maioria dos políticos brasileiros. E pior, é também o pensamento de alguns profissionais de marketing político que também desconhecem o meio. Como um que antes de perder a última eleição presidencial disse que a “internet era muito limitada, coisa de classe AB”.
Deve ter esquecido que os mais de 40 milhões de internautas brasileiros com mais de 18 anos têm que votar também, sejam da classe A, B, C ou X. E por isso mesmo, ele deve ter se concentrado apenas nos meios tradicionais. O que algum assessor mais antenado deveria ter lhe contado é que o consumo de TV e outras mídias tradicionais vem perdendo espaço no dia-a-dia das pessoas. E justamente para a internet.
Para não ser injusto, já vimos alguns avanços por aqui. Já participei de campanhas onde os marqueteiros-chefes concordaram com a maioria das idéias. E davam apoio para tocar pra frente algumas ações, mesmo quando estava estampado na cara deles a desconfiança e o medo da decisão que acabaram de tomar.
Vejam, não estou aqui defendendo uma campanha 100% online. É óbvio que tudo depende do lugar, do público e do candidato. Mas defendo sim que em muitos casos, uma campanha online bem feita pode fazer total diferença e ser o carro chefe das ações de marketing. Pode ser mídia principal e é a única que pode ser participativa como pede uma campanha com conteúdo e propostas de valor. E isso não é coisa dos “meninos lá da internet” não.
A realidade é que a cada dia mais pessoas passam a maior parte do dia conectadas, assistem mais vídeos online como os do Youtube, usam mais redes sociais como o Orkut e o Facebook, lêem mais blogs e sites de notícias que revistas de papel. Concorrentes de peso para os nada populares programas políticos obrigatórios na TV. Fica aí minha contribuição para pensarmos um pouco mais sobre isso. E até a minha torcida para ver o inovador Barack Obama eleito. Quem sabe ele não se torna também o primeiro Presidente 2.0 da história". [Colaborador de texto do Webinsider, Moriael Paiva: Publicitário e atualmente é gerente de comunicação digital da Knowtec Inteligência e Interatividade]. Veja mais textos oficiais de Clayton Fernandes em http://my.barackobama.com/page/community/blog/ton By Ton.

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