20080904

ONU - Comércio e Desenvolvimento 2008

Exclusivo Mixidéias (Primeira Mão) - A Organização das Nações Unidas (ONU) lança o Relatório sobre Comércio e Desenvolvimento 2008 e destaca falhas de políticas de ajuda e medidas para atenuar dívida de países pobres.

Genebra/Brasília – 04/09/08 - Diversos países em desenvolvimento realizaram significativos progressos econômicos nos últimos anos mas, para se alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), que incluem reduzir à metade a extrema pobreza até 2015 - será necessário aumentar em ao menos 50 bilhões de dólares por ano a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (ODA, na sigla em inglês) para os países pobres, conclui o Relatório de Comércio e Desenvolvimento 2008 (TDR 2008)[1], publicado pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Conhecido como TDR, o relatório também afirma que medidas para atenuar a dívida precisam ser somadas a outros tipos de ajuda.
Instabilidade atual e ameaça de oscilações especulativas apontam a necessidade de maior controle financeiro global.
Relatório de Comércio e Desenvolvimento 2008 alerta que perspectivas sombrias para os países ricos podem se espalhar e interromper o recente boom dos países em desenvolvimento caso os preços das commodities declinem.
Incerteza e instabilidade nos mercados internacionais financeiros, monetários e de commodities, unidos às dúvidas sobre a direção da política monetária nos principais países em desenvolvimento, estão contribuindo para um futuro sombrio para a economia mundial e representam riscos consideráveis para os países do terceiro mundo.
Os economistas que redigiram o relatório dizem que a atual crise financeira global e a possibilidade de políticas monetárias rígidas em alguns países é um presságio de grandes dificuldades para a economia mundial no restante de 2008 e em 2009. A explosão de certas bolhas especulativas e a volatilidade dos preços das commodities representam desafios enormes para os responsáveis pela adoção de políticas, em particular das políticas monetárias. Uma depressão global tem que ser evitada ao mesmo tempo em que a inflação derivada do aumento dos preços dos alimentos e da energia ainda está muito alta. A situação pode se tornar ainda mais difícil se as moedas dos países com grandes contas correntes deficitárias forem pressionadas para a desvalorização.
“Preços de Commodities, Fluxos de Capital e o Financiamento de Investimentos”, A UNCTAD prevê que a produção mundial cresça cerca de 3% em 2008: quase um ponto percentual a menos que em 2007. Em países desenvolvidos, o crescimento do Produto Interno Bruto provavelmente será de cerca de 1,5%. O resultado imediato é melhor para os países em desenvolvimento, onde o crescimento pode exceder 6%, como resultado de dinâmicas de demanda interna relativamente estáveis em grandes economias em desenvolvimento. Mas a recessão nos países desenvolvidos e as políticas monetárias excessivamente restritivas em países em desenvolvimento, com altas inflações nos preços de alimentos e energia podem levar a uma maior desaceleração do crescimento nestes.
Fluxo de capital está indo de países pobres para ricos e desafiando o pensamento econômico convencional
Diversos países no hemisfério sul se tornaram exportadores líquidos de capital para o norte, mas a necessidade de maior ajuda pública permanece, diz Relatório sobre o Comércio e o Desenvolvimento 2008. Os países em desenvolvimento, onde os recursos financeiros são mais escassos, têm exportado mais capital do que recebido. Este enigma desafia as teorias econômicas mais comuns, mas, quando analisado, sugere uma nova e poderosa abordagem para o desenvolvimento financeiro. O enigma é ainda mais intrigante porque muitos desses países exportadores de capital têm atingido taxas de investimento e crescimento mais altas do que aqueles com economia baseada no modelo econômico padrão das importações líquidas de capital. O estudo questiona a base teórica tradicional e sugere uma nova abordagem para o financiamento do desenvolvimento, focada menos nas importações de capital e em aumentos da poupança familiar, e mais no financiamento de investimentos através do lucro de empresas e em crédito bancário doméstico. O relatório diz que, usando esta abordagem, países em desenvolvimento muitas vezes podem evitar a dependência de influxos de capital estrangeiro, ao aplicar políticas macroeconômicas e cambiais apropriadas. Um forte aumento na ajuda pública ao desenvolvimento nunca foi tão necessário para ajudar os países pobres e dependentes de commodities a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs) definidos pelas Nações Unidas, observa o relatório.
Desde 2002, diversos países em desenvolvimento passaram por grandes melhoras em seus balanços de transações correntes. Isso é resultado não apenas da explosão de commodities, mas de taxas de cambio real favoráveis e de um rápido crescimento na produtividade, que impulsionou as exportações de manufaturados de alguns países.
Dos 113 países em desenvolvimento e economias em transição, 42 eram exportadores líquidos de capital em 2002-2006, e 60 deles viram melhoras em seus balanços de transações correntes neste período, em comparação com 1992-1996. "Melhoras nas transações correntes e alterações de déficit para superávit foram inicialmente conduzidas por amplas desvalorizações nas taxas de câmbio em economias de mercado emergentes exportadoras de manufaturas". "Na maior parte destes países, as melhoras nas transações correntes começaram após a crise financeira na Ásia e foram sustentadas quando governos e bancos centrais subseqüentemente buscaram manter taxas reais de câmbio competitivas". Como esta estratégia muitas vezes requer intervenções em mercados de câmbio estrangeiros, contribui para uma rápida acumulação de reservas em moeda estrangeira. Para a maioria dos países cujo desempenho comercial é determinado basicamente pela demanda mundial por commodities primárias, as melhoras nas transações correntes começaram em 2003, quando os preços do petróleo e de produtos de mineração começaram a subir.
Políticas monetárias e financeiras favoráveis a investimento são a chave para crescimento sustentado nos países em desenvolvimento.
O relatório enfatiza que o poder de criação de crédito dos sistemas bancários, baseado na liquidez promovida pelos bancos centrais, deve ser combinado a fortes arranjos institucionais e instrumentos de política adicionais para manter a estabilidade de preços. Em especial, o relatório solicita a criação de uma política de renda que previna aumentos excessivos dos salários nominais, além de uma política fiscal flexível. Esta tem sido uma receita de sucesso nos países recentemente industrializadas do Leste da Ásia (NIEs). Nesses países, as taxas de juros reais têm sido consideravelmente mais baixas do que na maior parte da América Latina e da África, onde a política monetária tendeu a se focar quase inteiramente em evitar a inflação. Isso deu origem a baixos níveis de investimento e crescimento lento.
Foco deve ser nos lucros retidos e na criação de crédito para investimentos pelo sistema bancário, recomenda Relatório de Comércio e Desenvolvimento.
Experiências em vários países demonstraram que políticas de taxas de juros altas – baseadas na premissa de que elevações anteriores nos níveis de poupança doméstica e de afluxo de capital estrangeiro são pré-requisitos para maiores investimentos – são contraproducentes. Os juros altos reduzem os lucros dos negócios por conta da menor demanda agregada e do elevado custo de financiamento, desacelerando o investimento doméstico e o crescimento dos lucros. De acordo com o TDR, esta é provavelmente a principal razão pela qual as reformas financeiras realizadas por muitos países em desenvolvimento e economias em transição, nas décadas de 1980 e 1990, falharam em aumentar os níveis de investimento. Ao invés de criarem um aumento sustentado dos empréstimos bancários com propósito de investimento a empresas privadas, a maioria dessas reformas levou a um boom de empréstimos para consumo e compras de imóveis resultando, geralmente, em crises bancárias e financeiras.
“Na perspectiva de financiar o desenvolvimento, não importa apenas o potencial de lucro microeconômico de um projeto mas, também, os benefícios externos que esse processo gera para a economia como um todo”, observa o TDR. Economistas da UNCTAD recomendam, portanto, que os governos influenciem de maneira mais forte o direcionamento do crédito para setores e atividades estratégicos. Isto pode levar, por exemplo, ao fornecimento direto de fundos por instituições financeiras públicas ou subsídios fiscais a projetos selecionados. Um controle mais rigoroso do crédito para fins de consumo ou especulativos também pode encorajar a alocação de crédito para projetos de investimento. Em instâncias onde taxas de juros elevadas refletem percepções de risco elevadas, as garantias do governo podem ser consideradas para empréstimos que financiem projetos de investimento promissores de empresas que, de outra maneira, podem ter acesso ilimitado, ou mesmo inexistente, a crédito bancário de longo prazo. Uma maneira de aproximar considerações comerciais e de desenvolvimento na alocação de crédito seria no financiamento conjunto, por bancos públicos e privados, de certos projetos de investimento. Isso uniria a experiência do setor privado na avaliação de viabilidade de projetos às considerações estratégicas das instituições públicas, cuja participação no financiamento também reduziria os riscos do banco privado envolvido
. Fonte: United Nations Publications, Two UN Plaza, DC2-853, New York, NY 10017, USA, tel: +1 212 963 8302 Exclusive by Mixidéias / Clayton Fernandes - Signatário Global Compact from UN/Brazil, São Paulo.

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