20081127

Dekasseguis sem teto no Japão

O aparecimento no Japão de dekasseguis sem-teto em um período de recessão como este não é de se espantar. Afinal, a grande maioria dos trabalhadores brasileiros ainda vivem de contratos temporários, mesmo sem nunca ter trocado de emprego. Sem a proteção trabalhista, reservada apenas aos funcionários efetivados, são eles os primeiros a serem dispensados. Com o anúncio oficial de que a economia do país está em recessão, as montadoras de veículos e fábricas de eletrônicos, principais pilares da economia japonesa e também fontes de emprego dos dekasseguis, não param de anunciar quedas na produção e a diminuição de trabalhadores temporários. A explicação é simples: o maior parceiro econômico do país asiático são os Estados Unidos, que já não consomem tanto. O mercado interno também não consegue absorver a alta produção. Como resultado, um grande número de brasileiros acaba recebendo a carta de demissão.

A mais recente montadora a divulgar cortes foi a Mitsubishi, a quarta maior empresa do setor automotivo no Japão. Serão mil vagas a menos e uma redução de 120 mil unidades de veículos produzidos até março de 2009. A Toyota, considerada a principal fonte de renda direta ou indireta dos brasileiros que vivem na região de Aichi, planeja cortar 3 mil postos de trabalho temporários, enquanto a Nissan, terceira do setor, vai reduzir 3,5 mil postos em todo o mundo.

O setor de autopeças é um dos que mais atrai trabalhadores brasileiros, pois o salário hora era de até US$ 13. Agora, as vagas disponíveis estão em outras áreas, como a de alimentos e hotelaria, e cujo valor por hora não ultrapassa os US$ 8. Dessa forma não está nada fácil para os dekasseguis arrumarem novos empregos no Japão. Quem não se contenta com salário mais baixo está retornando ao Brasil, para aguardar passagem da crise financeira mundial e concomitamente a saída do Japão da recessão. Foto: AE. By Ton.

Divulgue o seu blog!