20081118

São Paulo e Washington mudam o panorama mundial!

Marco histórico - Após reunião do G20 em São Paulo, o Brasil deixou de ser um país coadjuvante no cenário político e financeiro internacional. Seu papel de coordenador e moderador na reunião foi bem sucedido. O Brasil atuou de forma brilhante com colocação não política, tênue em não acusar culpados e firme com propostas de combate à crise financeira mundial. Para tanto, o Brasil recebeu a grande oportunidade de permanecer na coordenação real de soluções e não somente na coordenação formal do grupo internacional de países ricos e em desenvolvimento.

Brasil o país modelo - Com a experiência dos últimos nove anos o Brasil demonstrou ao mundo que consolidou suas políticas públicas, tanto do Banco Central, quanto da Comissão de Valores Mobiliários e também da modernização das bolsas de valores e de futuros, que deram fortes exemplos da sustentabilidade desses sistemas perante a crise atual.


Casa Branca - A nova equipe de democratas, que deverá ser administrada pelo presidente eleito Barack Obama (2009/2012) - vê o Brasil como um novo expoente mundial consolidado. As deliberações da nação brasileira em 15 de novembro de 2008, devem ter fortes repercussões no governo Obama. A reunião dos ministros de finanças e presidentes dos bancos centrais do G20, em São Paulo, esboçou os contornos e a base dos conceitos da 'nova economia mundial' discutidas em Washington D.C., trazendo surpresas nunca vistas, inclusive ao próprio presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva. O Mixidéias relatou aqui que Lula não esperava muito do encontro de São Paulo com resultados efetivos para Washington, mas o que ocorrerá acabou por beneficiar a postura e ação do Brasil, uma vez que o país disse ao mundo o que deveria ser feito, fazendo reascender as demais nações uma postura de resoluções e não de acusações. Foram inúmeras sugestões que surgiram em Washington, para resolver a crise, a partir de idéias e colocações de diversos países (inclusive o Brasil) elaboradas em São Paulo. A presidência do G20 é gerida pelo ministro da fazenda do Brasil, Guido Mantega.


Novo FMI - Os países emergentes estão mostrando ao mundo que é necessário lançar novos fundamentos de um "Bretton Woods II" para se obter a reforma concreta do sistema financeiro, começando pelo FMI - Fundo Monetário Internacional e em seguida pelo Banco Mundial, com novas e melhores regulamentações, controles mais eficazes e mecanismos preventivos (anti-crises) para o futuro. A posição do Brasil é a favor de uma Nova Ordem financeira e para tanto vem pleiteando uma participação mais ativa junto as decisões do FMI. Em documento expresso em Washington tem como texto a consideraçao da necessidade de uma reforma no sistema financeiro, com a implementação de clearings para melhor controle das operações de derivativos e mercados futuros — algo semelhante ao que existe no Brasil e uma das propostas brasileiras —, a ampliação das participações dos países emergentes no FMI, que deverá ampliar seu papel nessa reforma do sistema financeiro, não foi definida pelo relatório em andamento. é importante notar que esse diálogo está apenas começando, a agenda do G20 tem como premissa concluir a Rodada de Doha até dezembro de 2008 e nova reunião marcada para abril de 2009 com equipe de Obama.


Sugestões oportunas - A Rússia propôs um processo de aliança similar ao do Tratado de Maastricht, que criou o Euro e o Banco Central Europeu. A participação dos benefícios com um novo tratado financeiro, de acordo com a colocação russa, se daria com a adequação de políticas e mecanismos da instituição financeira com a aliança controlodora de países partícipes com compromissos mínimos propostos. Esta adequação sugerida pela Russia colocaria os países membros do FMI em pé de igualdade, haveria um esquadro de ajustes junto ao sistema internacional de acordo com sua proporcionalidade de decisão. Tal proposta leva inovações ao sistema financeiro mundial, principalmente a China e á Índia, sem contar aos Estados Unidos da América, maior doador de fundos para o FMI desde sua abertura em 1944.


1930 e 2008 - Dados alarmantes de que as economias da zona do euro já estão em recessão, fez com que o ano de 2008 se torne um ano histórico para a economia desde 1930. Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), as nações mais ricas do mundo estão com outros olhos para com os países emergentes, como Brasil, China e Índia, que serão responsáveis por cerca de 100% do crescimento mundial em 2008 e 2009. De acordo com colegas jornalista estrangeiros, o Brasil se destaca não somente por presidir o G20, mas também por ser considerado uma das economias mais resistentes à crise internacional. O comunicado oficial divulgado pós reunião em Washington do G20 contém dez páginas e mostra que tanto as nações ricas quanto as emergentes estão comprometidas em tomar medidas para evitar que uma depressão atinja todas as economias como aconteceu na década de 1930, durante a Grande Depressão. Nos anos trinta os países optaram por fechar as portas de suas economias e caminharam com os próprios recursos, levando o mundo a dez anos de recessão e a uma Guerra Mundial. Hoje parace que as nações estão focadas em outro caminho, tomara que seja verdade e o mundo não cometa o mesmo "crime" econômico contra a sociedade como um todo!


G20 e plano de metas - O G20, além do Grupo dos Sete e a Rússia (inglês:Group of Seven and Russia, antigo G7), mais conhecido como G8, integra Brasil, Argentina, China, África do Sul, Índia e demais economias emergentes que juntas representam 90% do Produto Interno Bruto (PIB) global, conforme dados fornecidos pelo subsecretário do Tesouro americano, David McCormick.


O plano de metas do G20 proposto em São Paulo e Washington tem várias frentes, mas cinco objetivos chaves foram escritos em 15 de novembro, relatados com excluvidade pelo Mixidéias:


01 - Encontrar um entendimento sobre as origens da crise global;

02- Revisar ações tomadas e procurar combater a crise e fortalecer o crescimento;

03 - Concordar em princípios comuns para a reforma dos mercados financeiros;

04 - Lançar um plano de ação para implementar os princípios dessa reforma com recomendações específicas que serão revisadas pelos líderes em uma nova cúpula;

05 - Reafirmar o comprometimento com os princípios do livre mercado.


Rodada de Doha - China e Brasil devem ter maior participação no FSF - Fundo de Estabilidade Financeira levando assim novos padrões para a regulamentação do sistema financeiro. Segundo o ministro Mantega a Rodada Doha, que estava meio encantada, desencantou. Isso aconteceu porque é importante em um momento como este que o comércio internacional, continue, se desenvolva, e não aconteça o que aconteceu nos anos1930, quando o protecionismo foi
considerado a solução”, afirmou o ministro.

Breve Nota - Lançada em 2001, a agenda de desenvolvimento de Doha vislumbra uma liberalização maior do comércio internacional, mas sofreu inúmeras interrupções nas negociações devido ao impasse entre EUA e UE em resistirem em reduzir os subsídios agrícolas enquanto os países em desenvolvimento evitam abrir mais ainda os seus mercados aos produtos industrializados.
E, apesar de o Brasil como líder do G20 Comercial — integrado somente pelas nações em desenvolvimento — ter cedido às pressões dos EUA e da UE para aceitar o acordo em julho, Índia — outro líder do grupo — e China recusaram a proposta e bloquearam a que era considerada a última chance de um acordo para Doha neste ano. O novo agendamento do G20 para a continuidade e fechamento de Doha reascende as expectativas do governo brasileiro.

Na opinião do Ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, houve uma preocupação durante
a cúpula do G20 em minimizar o impacto da crise financeira sobre a economia real. “E a conclusão de Doha é talvez o melhor sinal que se pode dar de que os países estão comprometidos em tomar medidas no sentido contra cíclico, de estimular as economias”, afirma Amorim.


Gestão Obama - O presidente eleito Barack Obama escolheu Gregory B. Craig para conselheiro na Casa Branca. Hillary Clinton, tem seu nome como favorito para ocupar o posto de secretária de Estado. Ronald A.Klain, ex-lobista e advogado do governo Clinton, tem cotação para ser o chefe de gabinete. Obama também indicou outro veterano de Washington, Philip M. Schiliro, de 52 anos, como seu principal intermediário no Congresso. Madeleine Albright - ex-secretária de Estado do governo de Bill Clinton -, esteve presente à cúpula do G20 para coletar informações para o presidente eleito Barack Obama.


Bretton Woods / G20 -2008 - Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a reunião SP/Washington se tornou um fato histórico. “Saio daqui com a certeza de que a geografia
política do mundo ganhou uma nova dimensão. Eu que já participei de 300 reuniões, que já discuti individualmente com todos os líderes, só posso dizer que o dia de hoje é um dia histórico para a política mundial. Eu não diria que é o fim do G8, porque depois de tanto tempo reunido, virou um clube de amigos, em que as pessoas vão continuar se reunindo. O dado concreto
é que, pela força política, pela representação dos países que foram inseridos no G20, eu penso que não tem mais nenhuma lógica tomar decisões sobre economia, sobre política, sem levar em conta esse fórum de hoje”, conclui Lula.

Segundo o ministro da fazenda e presidente do G20 Guido Mantega “não se pode demorar em fazer o tratamento da crise. Bretton Woods, por exemplo, demorou três anos para ser concluído. Se demorarmos três anos, estaremos todos quebrados. É preciso rapidez, agilidade e coragem para evitar que a crise se alastre”, disse Mantega.


Considerações - Os limites para a formatação de um Plano de Ação, com recomendações acerca dos novos padrões para a regulamentação do sistema financeiro global, de forma a fortalecer a
transparência dos mercados de derivativos, reduzindo o risco sistêmico, entre outras. A elaboração dessas recomendações será coordenada por Brasil, Reino Unido e Coréia do Sul uma vez que este último presidirá o G20 em 2010.


Adendo Mixidéias / República da Coréia - Em 17 de novembro de 2008 o Mixidéias foi convidado a participar da recepção política empresarial da comitiva presidencial da Coréia do Sul, ocorrida na FIESP - Federação da Indústrias do Estado de São Paulo . O Presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak , afirmou nessa reunião que o Brasil está preparado para liderar ações mundiais de tamanha importância política, social e financeira para a humanidade. Após presenciar encontro do G20 em Washington, o líder coreano vê o presidente Lula como um homem de coragem e com propostas firmes e reais. Lee Myung-bak , está disposto a assumir com Lula o enfrentamento contra a crise mundial, ele vê o Brasil como uma nação abençoada por Deus e muito semelhante a seu país no quesito desenvolvimento social e econômico, apesar da distância geográfica - Ver: Economia da Coréia do Sul .

Fontes: Ingo Plöger, Rosana Hessel, The New York Times, Ministério de Relações Exteriores, Ministério da Fazenda, Gazeta Mercantil, Wikipedia.org, Portal do Governo Brasileiro, FIESP, Câmara de Comércio da Korea, Obama.com, Mixidéias. Edição by Clayton Fernandes.

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