20110413

Tecnologia humanitária

Após a contestada eleição de 2007 no Quênia, a advogada e blogueira Ory Okolloh, que estava radicada na África do Sul, mas retornara ao seu país para votar e observar o pleito, recebeu ameaças por causa do seu trabalho e voltou ao exílio. Ela então colocou no ar a ideia de uma ferramenta de mapeamento pela internet, que permitisse que as pessoas relatassem anonimamente a violência e outros incidentes. Ases da tecnologia viram o post dela e construíram a plataforma web Ushahidi - aplicável em aparelhos móveis - num fim de semana prolongado. Nasce assim, no Quênia, uma pequena organização, chamada Ushahidi, ou seja, testemunho (significado de "ushahidi" em suaíli).

O Ushahidi sugere um novo paradigma para o trabalho humanitário - não mais o "de um para muitos", em que jornalistas e agentes humanitários relatam a calamidade e distribuem ajuda com os dados à mão. No novo paradigma, as vítimas fornecem informações do terreno; uma multidão global e auto-organizada de voluntários traduz as mensagens e ajuda a orquestrar o auxílio; jornalistas e agentes humanitários usam os dados para focar sua ação.

Como o Ushahidi surgiu em meio a uma crise, ninguém tentou patenteá-lo ou monopolizá-lo. Já que no Quênia pouca gente tem acesso a computadores, o Ushahidi fez com que seu sistema funcionasse por celular. Por não ter apoio de investidores, ele usou um software de fonte aberta, liberando assim outros para reformatarem a ferramenta em novos projetos.

O Ushahidi já foi adaptado na Índia para monitorar eleições, em outras partes da África para apontar casos de escassez de medicamentos, no Oriente Médio para recolher relatos sobre violência bélica e, em Washington, com a colaboração do jornal "Washington Post", para construir um site que mapeia ruas bloqueadas por nevascas e a localização das máquinas que retiram neve da pista. Essa tecnologia está vinculada a rede social wiki.com em http://www.wiki.com/ By Ton.

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